A 1ª Mostra Cordis abre nesta 2ª.feira (4.mai.26), às 17h, na Galeria de Artes Visuais (GAV) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com obras que tratam de sentimentos e relações humanas. A exposição reúne artistas de Campo Grande e Dourados e segue até 24 de maio.
No GAV, o público encontrará trabalhos em crochê, tecelagem, pintura, poesia, upcycling e outras linguagens. Estão na mostra Márcia Lobo, Sabrina Lima, Raique Moura, além de Joni Lima, Bejona Lumar, Very Ruim, Léo Bueno, João Paulo Martinez, Ana Julião, Kaio Ramos e o designer Addi.
Para a crocheteira e artista visual Márcia Lobo, a exposição nasce como reação direta ao momento atual.
“A Mostra Cordis propõe um retorno ao essencial. Em meio à automatização da vida, ela reposiciona o afeto como prática, não como ideia. O sensível aqui é urgência, é o que ainda nos conecta, o que impede o desmanche completo dos vínculos”, introduziu.
Esse “coração” que dá nome à mostra não é decorativo.
“O coração aparece como centro vital e coletivo. Não é só símbolo, é estrutura: pulsa nas obras como conexão, ruptura e também como alerta. Ele costura as linguagens como um fio comum entre cuidado e ferida”, teorizou.
A leitura também passa por um campo político, ainda que sem panfleto.
“Sim. Retornar ao sentir é um gesto político porque rompe com a lógica da indiferença. As obras evidenciam isso ao expor rachaduras, vazios e cicatrizes, mostrando que o que é íntimo também é social. Sentir, aqui, é não aceitar o endurecimento”, acentuou Márcia.
A presença de artistas de diferentes cidades do Estado não é casual.
“O diálogo acontece na experiência compartilhada de território. Existe uma sensibilidade comum atravessada por afetos, tensões sociais e modos de existir no Centro-Oeste. Não é uma identidade fixa, mas um pulso coletivo que se reconhece nas diferenças”, completou a crocheteira campo-grandense.
Entre os destaques está “Voantes”, do douradense Raique Moura, exibida pela primeira vez completa.
“‘Voantes’ trabalha deslocamento e fragmentação, em um espaço entre o real e o imaginado. Os corpos aparecem costurados, em processo, e o coração surge deslocado como aquilo que nos atravessa e permanece. Espero provocar uma experiência de suspensão, onde o público sinta mais do que explique", prospectou o artista visual.
A mostra segue até 24 de maio, com entrada gratuita.





















