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OPERAÇÃO SUFRAGIUM

PF mira sete suspeitos de compra de votos para Adriane Lopes

PF vê movimentações suspeitas em dias de eleição

Por TERO QUEIROZ • 19/06/2026 • 14:17
Imagem principal Um ano após ser livrada, Adriane Lopes volta a ter no seu encalço a PF. Foto: Tero Queiroz

A Polícia Federal (PF) foi às ruas da Capital sul-mato-grossense e de Taquarussu na manhã desta 6ª feira (19.jun.26) para cumprir sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

Segundo a PF disse em nota, os mandado são parte da Operação Sufragium, que investiga cabos eleitorais e empresas que fizeram a campanha eleitoral de Adriane Lopes (PP), a prefeita inimiga da cultura

Conforme informações preliminares, um grupo montou uma esquema de compra de votos durante o período eleitoral de 2024.  

Os investigadores apontam indícios de movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a rotina financeira dos envolvidos, especialmente nos dias que antecederam o primeiro e o segundo turno da disputa municipal.

A PF declarou que a estrutura investigada operava por meio de diferentes níveis de atuação. No topo estariam pessoas apontadas como possíveis beneficiárias políticas do esquema. Em seguida, haveria um núcleo responsável pela gestão dos recursos financeiros, além de intermediadores encarregados de distribuir os valores e conectar os operadores financeiros aos destinatários finais.

Na base da estrutura estariam os eleitores que teriam recebido vantagens econômicas em troca de apoio eleitoral. Até o momento, a investigação busca descobrir o alcance das operações e a eventual participação individual de cada envolvido.

Segundo a PF, foram identificados indícios como transferências sucessivas entre contas, fracionamento de valores por Pix, utilização de contas de terceiros e saques em espécie. Os investigadores avaliam que essas práticas podem ter sido empregadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A prefeita Adriane Lopes não foi alvo dos mandados cumpridos nesta etapa da operação.

A investigação possui relação com denúncias feitas ainda em 2024, com ações que morosamente tramitam na Justiça Eleitoral envolvendo o processo eleitoral que reelegeu Adriane Lopes.

PEDIDO DE VOTOS NA IGREJA

Além dessa suspeita, o TeatrineTV mostrou que Adriane Lopes fez campanha dentro de templos religiosos o que por si só configura crime eleitoral.

A prefeita bolsonarista apadrinhada pela ex-ministra e Senadora Tereza Cristina, durante a campanha, esteve no evento "Mulheres que Transformam", realizado em 17 de outubro de 2024.  

Na época, lembramos, esteve no evento Michelle Bolsonaro, esposa do presidiário e ex-mandatário inimigo da cultura, Jair Bolsonaro.  

O "encontro político-religioso" reuniu cerca de 3 mil pessoas na Aliançados Arena, espaço de eventos que pertence a Comunidade Cristã Aliançados, localizado na Avenida Mato Grosso, 4840, no bairro Jardim Veraneio. 

O Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) e o artigo 37 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) proíbe o uso de bens de uso comum (como templos e organizações religiosas) na campanha. O Artigo 37 é taxativo: realizar eventos políticos dentro de igrejas — ou organizações religiosas — com intuito eleitoral é infração eleitoral. 

Apesar do flagrante, até o momento Adriane Lopes não responde pela realização do evento. 

LIVRADA, APESAR DE PROVAS 

É curioso que o TRE-MS tenha expedidos os sete mandados de busca e apreensão, já que o mesmo tribunal, a exatos 1 anos, em junho de 2025, negou recurso interposto pelos partidos Democracia Cristã (DC) e Partido Democrático Trabalhista (PDT), que acusavam a chapa eleita de abuso de poder religioso e captação ilícita de sufrágio nas eleições municipais de 2024.

Na época, as siglas apontaram o que provamos aqui: que campanha de Adriane Lopes foi favorecida por apoio sistemático da Igreja Assembleia de Deus Missões (ADM), com participação direta de lideranças religiosas e uso irregular de templos para promoção eleitoral. 

Vamos lembrar que após ser reeleita, a prefeita Adriane Lopes empregou ao menos 12 pastores em diferentes cargos na prefeitura.  

VITÓRIA SOBRE ROSE

Nas eleições do ano passado, Adriane conquistou a reeleição no segundo turno com 222.699 votos, o equivalente a 51,45% dos votos válidos. A candidata derrotou Rose Modesto (União Brasil), que recebeu 210.112 votos, correspondentes a 48,55%.

O inquérito segue em andamento. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou nomes dos alvos das buscas nem apresentou denúncia formal contra os investigados. O objetivo da operação é aprofundar a coleta de provas e esclarecer se houve prática de captação ilícita de sufrágio durante a campanha eleitoral.


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