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CINEMA DE RUA

Cineasta pioneiro de MS, Bernardo Lahdo critíca leilão do Cine Campo Grande

"Sou contra a venda totalmente do cinema. Tinha que ser direcionado para o povo", disse ao Sesc MS

Por TERO QUEIROZ • 03/05/2026 • 18:17
Imagem principal (29.abr.26) - O cineasta Bernardo Elias Lahdo defende o uso do Cine Campo Grande para a cultura campo-grandense. Foto: Tero Queiroz

O cineasta pioneiro, escritor, advogado, jornalista e jurista Bernardo Elias Lahdo, de Campo Grande (MS), criticou a intenção do Sesc MS de leiloar o Cine Campo Grande — último cinema de rua da Capital sul-mato-grossense ainda passível de recuperação. 

Entenda: Em 2013, o Sesc MS comprou o Cine Campo Grande por R$ 3 milhões para transformá-lo em centro cultural — o que não ocorreu. Entre janeiro e abril de 2026, o Sesc MS tentou leiloar o imóvel por R$ 4,9 milhões, mas o único interessado não pagou os 40% exigidos, e o leilão fracassou.

Ao TeatrineTV, na noite de 29 de abril, Lahdo afirmou que o espaço deve ser convertido em um centro cultural voltado à juventude campo-grandense.

"Sobre o antigo Cine Campo Grande que está na Rua 15 de novembro, eu sou contra a venda dele. Eu acho ou poder público desapropia e pega e transforma ele em centro de cultura também ou os donos do imóvel direcionem ele para a cultura, como eu estou fazendo no Cine Acapulco, o Instituto Cultural Bernard Leza Lado", disse em entrevista filmada que pode ser conferida no Instagram.  

"Nós precisamos formar esses jovens, essas crianças e preparar prepará-las para o futuro. Nós temos cinema. Hoje a era digital atende tudo, atende até o teatro, atende a literatura, atende tudo. Atende os nosso dia a dia passo a passo e e eu sou contra a venda totalmente do cinema. Tinha que ser direcionado para o povo", completou Bernardo.

Com contribuição histórica ao cinema e à literatura sul-mato-grossense, Bernardo Lahdo é autor da obra que deu origem ao primeiro longa-metragem de ficção produzido no então sul de Mato Grosso, em 1965: Paralelos Trágicos, do qual também foi produtor.

Por apresentar críticas ao Estado, à Igreja e à Polícia, além de incluir cenas consideradas ousadas para a época, o filme foi alvo de perseguição durante a Ditadura Militar, sendo classificado como subversivo.

Durante décadas, acreditou-se que as cópias de Paralelos Trágicos haviam sido destruídas — após o incêndio que atingiu a fita original em 2000, no Cine Acapulco. Porém, como mostramos aqui, o jornalista Rodrigo Teixeira identificou a existência de cópias passíveis de restauração na Cinemateca Brasileira. Além disso, Bernardo preserva uma rara cópia em 16mm, também restaurável.

Bernardo e seu irmão, Abboud Lahdo, também são proprietários do Cine Acapulco, localizado na Rua 26 de Agosto. O edifício abrigou a Empresa Mato-grossense de Cinema — posteriormente Lahdo Produções Cinematográficas —, fundada pela família.

O Cine Acapulco foi um dos espaços responsáveis por difundir a cultura cinematográfica em Campo Grande, promovendo inclusive exibições ao ar livre entre 1966 e 1967.

Em 2000, o prédio foi atingido por um incêndio. Ainda assim, a família manteve a posse do imóvel, que passará por reforma para abrigar, até dezembro de 2026, o Instituto Cultural Bernardo Elias Lahdo.

Ao TeatrineTV, Bernardo também revelou que outro cinema da família, o Cine Plaza, será destinado a uma organização cultural. O espaço deverá ser transformado em um centro cultural que levará o nome de Abboud Lahdo.

Os detalhes do projeto ainda serão apresentados publicamente pelo próprio Abboud à sociedade sul-mato-grossense.


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