(Imagem gerada por IA). O terreno do finado Autocine ao fundo, com parte do telão e a estrutura de contêineres montadas com os R$ 7,4 milhões. Em primeiro plano, estão a reitora Camila Ítavo (dir.) e a diretora-presidente da FAPEC, Nilde Brun.
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) lançou nesta 6ª feira (12.jun.26) o Edital nº 322/2026 (a íntegra), em que convoca artistas e membros da comunidade acadêmica para a Maratona de Inovação “Autocine em Comunidade” – Urban Hacking UFMS 2026.
Segundo o certame, serão selecionadas propostas para a ocupação do finado Autocine, transformado pela atual reitoria de Camila Ítavo, em um conjunto de contêineres batizado de Centro de Convivência e Empreendedorismo Estudantil do Campus de Campo Grande.
(10.jun.26) - Durante a 'inauguração', Camila Ítavo defendeu a construção coletiva do novo Autocine, mas não convidou nem mesmo representantes do curso de Audiovisual da própria UFMS para a cerimônia. Foto: Tero QueirozNo local milionário preparado para o Autocine foi proibído carros, agora podendo apenas assistir os filmes em cadeiras. E sem carros, a UFMS quer ajuda para saber como levar o público ao local.
"A ação tem como finalidade mobilizar estudantes, servidores, artistas, empreendedores, agentes culturais e membros da comunidade para pensar coletivamente o Autocine como espaço de convivência, cultura, lazer, inovação, economia criativa, formação cidadã e integração entre universidade e sociedade", diz a UFMS.
As inscrições do certame abrem em 17 de junho e seguem até 17 de julho.
Na primeira linha do edital, a insituição destaca que a proposta conta com parceria do SEBRAE, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica assinado em dezembro de 2025 que segue válido até setembro de 2026. A íntegra.
No entanto, o certame não detalha, ao longo das suas sete páginas, qual será o extato papel do braço do Sistema S na ocupação do finado Autocine.
O edital é assinado pela pró-reitora de Extensão, Cultura e Esporte, Lia Raquel Toldo Brambilla Gasques.
Ainda conforme o certame, a ação é uma "urban hacking" — expressão em inglês usada para pedir sugestões de ocupação de espaços urbanos.
A reportagem observou que no item 1.5 a UFMS cita que não haverá qualquer apoio financeiro às propostas selecionadas.
"O presente Edital não envolve repasse de recursos financeiros, bolsas ou auxílios aos participantes, destinando-se exclusivamente ao cadastro, seleção e participação de equipes na ação".
Apesar de não pagar nada, o certame define regras aos interessados, que deverão formar equipes entre três e seis integrantes, participar de atividades de criação, desenvolvimento de propostas, prototipagem e apresentação de soluções.
A questão central do desafio a ser respondida está no item 3.6, em que a UFMS questiona:
"Como transformar o espaço do Autocine da UFMS em um ambiente vivo, inclusivo, sustentável, cultural, seguro e integrado à comunidade, capaz de promover convivência, criatividade, economia criativa e pertencimento?".
A única recompensa oferecida para o trabalho aparece no item 6.1:
"As propostas melhor avaliadas poderão receber reconhecimento simbólico, certificado de destaque ou outra forma de premiação definida pela organização, conforme disponibilidade institucional".
CARIMBO FAPEC
(10.jun.26) - Gerenciado pela FAPEC, projeto do Autocine custou R$ 7,4 milhões, conforme plano de trabalho. Foto: Tero QueirozVamos lembrar que, apesar de querer as ideias dos artistas e estudantes de graça, a UFMS havia anunciado que gastou R$ 6,8 milhões de recursos do governo federal na obra do finado Autocine. Isso porque, a licitação de 2023 da construtora Souza dos Santos recebeu aditivo de quase R$ 1 milhão em relação ao valor originalmente licitado.
A Souza dos Santos, sob CNPJ 44.445.224/0001-82, foi a responsável por realizar a intervenção no terreno do Autocine.
A reportagem do TeatrineTV apurou, porém, que obra do Autocine tem um outro carimbo e foi ainda mais cara do que o valor divulgado à imprensa hegemônica.
Segundo o último plano de trabalho (a prova) publicado no site da Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (FAPEC) — organização presidida por Nilde Clara de Souza Benites Brun, contratada pela UFMS para gerenciar o projeto "Autocine" — a obra foi aditivada para R$ 7.491.985,94 em 16/12/2025. O aditivo.
A FAPEC descreveu que o valor era composto por emenda parlamentar, recursos próprios da UFMS, rendimentos financeiros e saldos de outros projetos.
Desse montante, a FAPEC descreveu no plano que R$ 7.335.422,88 foram destinados à contratação integrada para elaboração dos projetos, execução da obra, licenciamentos e demais serviços necessários à construção do empreendimento.
Segundo a FAPEC, os R$ 7,49 milhões destinados ao projeto do Autocine tiveram as seguintes origens:
- R$ 5 milhões de emenda parlamentar da Bancada Federal de MS (Emenda nº 71130015);
- R$ 90 mil de recursos próprios da UFMS;
- R$ 1,93 milhão de rendimentos financeiros obtidos com a aplicação dos recursos do projeto;
- R$ 463,7 mil provenientes de saldo de ressarcimento do convênio "Projeto Escritório de Projetos do Paraná: Educação, Inovação e Governança para o Desenvolvimento".
QUANTO A FAPEC RECEBEU?
A FAPEC foi contratada para realizar a gestão administrativa e financeira do projeto durante 60 meses. O plano de trabalho informa que as despesas administrativas e operacionais da fundação (DOAs) seriam custeadas com recursos do próprio projeto, mas não apresenta o valor que a entidade efetivamente receberia por essa gestão.
Na planilha financeira, o campo destinado ao ressarcimento da fundação aparece zerado, o que impede identificar, apenas por este documento, quanto a Fapec recebeu pela administração do empreendimento.
A reportagem tentou contato com a FAPEC pelo número fixo da fundação, (67) 3253-3411, e pelo WhatsApp, (67) 99925-9405, para que a entidade informasse quanto recebeu pelo serviço prestado à UFMS. Entretanto, em nenhum dos canais obtivemos retorno.
O espaço segue aberto para futuros posicionamentos da organização de Nilde Clara de Souza Benites Brun.
USO DAS PROPOSTAS
O documento também reserva à universidade a possibilidade de utilizar os resultados produzidos durante a maratona.
O item 7.1 prevê:
"Os resultados alcançados pelas equipes poderão ser divulgados pela UFMS como produção acadêmica e extensionista, resguardados os direitos autorais dos participantes."
Já o item 7.3 afirma:
"As propostas poderão ser consideradas pela UFMS para estudos de viabilidade, projetos-piloto, ações extensionistas, parcerias institucionais, editais futuros ou outras formas de desenvolvimento."
O texto não prevê remuneração caso alguma dessas propostas venha a ser utilizada pela instituição.
Procurada pelo TTV, a assessoria da UFMS disse que "todas as informações sobre o caso" estavam em um release publicado pela universidade, que pode ser acessado AQUI. O espaço segue aberto para eventuais futuros posicionamentos da UFMS.







