(mai.2026) - Brô MC's realiza participação no show do Falange da Rima, na 1ª Revoada Cultural de Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz
A organização da 1ª Revoada Cultural de Campo Grande (MS), evento realizado pelo Instituto Imolé, enviou uma nota nesta 5ª feira (23.jul.26) em resposta à reportagem "Sucesso em feat com Anitta, Brô MC's é desprezado em MS", publicada na 4ª feira (22.jul.26) pelo TeatrineTV.
No conteúdo acima, a reportagem trouxe ao público uma denúncia dos Brô MC's — formado por Bruno Veron, Clemerson Batista (Tio Creb), Kelvin Mbarete e Charlie Peixoto (CH) — que disseram terem se sentido desprezados pela organização da 1ª Revoada Cultural, realizada nos dias 30 e 31 de maio, em Campo Grande (MS).
Essa não era a pauta inicial. @ TTV havia procurado os Brô Mc's para entrevistá-los acerca das expectativas para o lançamento marcado para às 21h desta 5ª feira (23.jul.26) da faixa 'OKE'. A música, que tem os Brô MC's e Katú Mirim, está na parte 2 do álbum "Equilibrivm" da popstar Anitta.
Por meio de nota oficial ao TTV, o Imolé afirmou que não foi procurado antes da publicação da matéria e chamou de “narrativa” a denúncia do grupo de rap indígena. Segundo a organização, a ausência de contato prévio impediu que sua versão dos fatos fosse apresentada aos leitores.
"Antes de sua publicação, a organização do evento não foi procurada pelo veículo para apresentar sua versão dos fatos ou prestar quaisquer esclarecimentos sobre os episódios relatados na reportagem. O contato com todas as partes envolvidas é um procedimento importante para garantir o equilíbrio e a contextualização das informações apresentadas ao público e faz parte do processo jornalístico”, argumentou.
Ainda na mesma nota, o Imolé confirmou que a participação do Brô MC's ocorreu a convite do rapper GOG, portanto, de fato o grupo não recebeu cachê. Apesar disso, na nota ratificou a denúncia dos Brô, de que parecia que a organização sentia-se fazendo “um favor” ao aceitar a apresentação do grupo.
“A organização esclarece que a participação do Brô MC's na Revoada Cultural aconteceu a convite do rapper GOG. A inclusão do grupo na apresentação foi comunicada posteriormente à produção do evento pela equipe do artista, quando toda a estrutura de backstage, camarins, logística e operação já estava finalizada e organizada para atender mais de 30 atrações distribuídas ao longo de 24 horas de programação.
Mesmo diante desse cenário, a produção promoveu os ajustes possíveis para receber o grupo, organizando uma área de acolhimento com alimentação, mesa, espelho e suporte às necessidades apresentadas pela equipe dos artistas. Todas as adequações foram realizadas buscando atender ao Brô MC's sem comprometer a estrutura previamente planejada e o atendimento aos demais artistas que integravam a programação oficial do evento”, declarou o Instituto na nota.
Num aparente intuito de justificar a boa-fé da produção, o Instituto Imolé citou a missão do projeto "Revoada Cultural" defendendo a tese de que não houve intenção de desmerecimento ao grupo de rap indígena.
“A Revoada Cultural reafirma que, em nenhum momento, houve qualquer intenção ou prática de desrespeito ao Brô MC's ou a qualquer outro artista. A primeira edição do evento foi construída com a proposta de valorizar a pluralidade cultural. Ao longo de 24 horas de programação gratuita, reuniu atrações de sertanejo, samba, forró, hip hop, rap, rock, cultura indígena, manifestações populares, dança, cultura queer, economia criativa, gastronomia e artesanato, promovendo o encontro de diferentes linguagens artísticas em um mesmo espaço”, disse.
Então, vem a parte mais crítica da nota, em que o Imolé chama a denúncia dos Brô de “narrativa pública”.
“A organização respeita o legado do grupo Brô MC's e reconhece sua contribuição para a música brasileira. Da mesma forma, respeita o direito de qualquer artista manifestar sua opinião. Entretanto, entende que a construção de uma narrativa pública sobre um episódio deve considerar todos os envolvidos e os fatos em sua integralidade”, concluiu o Instituto.