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CCUFG

Exposição revisita demolição da antiga sede da 'Celg' em Goiânia

A mostra abre ao público no dia 17 de março, às 19h, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás

Por FERNANDO PRESTES* • 15/04/2026 • 16:26
Imagem principal Antiga Celg em arte | Foto: Divulgação

A demolição da antiga sede da Companhia Energética de Goiás (Celg), em Goiânia, é o ponto de partida da exposição “Marcha para o fim do Oeste”, que reúne obras produzidas a partir dos vestígios do edifício modernista que marcou a paisagem da cidade por décadas. A mostra abre ao público no dia 17 de março, às 19h, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG). A exposição segue até o dia 24 de abril.

O prédio, construído entre 1956 e 1958, esteve ligado ao processo de expansão e modernização do Centro-Oeste brasileiro, período associado à chamada Marcha para o Oeste. Após anos de abandono, a estrutura foi demolida em poucos dias, encerrando uma trajetória que agora é revisitada sob o olhar artístico.

Exposição de fotografias da antiga sede | Foto: DivulgaçãoExposição de fotografias da antiga sede | Foto: Divulgação

Durante cerca de três anos, os artistas Glauco Gonçalves e Henrique de la Fonte acompanharam o processo de degradação do imóvel, registrando imagens e recolhendo materiais no local. Fotografias, vídeos, documentos e fragmentos arquitetônicos passaram a compor o núcleo da exposição, que se organiza como um conjunto de reflexões sobre memória urbana, patrimônio e transformação das cidades.

“Esta exposição se debruça sobre a crise da cidade. A arte contemporânea permite pensar a disputa pelo espaço urbano, o desaparecimento de arquiteturas e as tensões em torno da memória e da preservação do patrimônio”, afirmam.

A rápida demolição do edifício se tornou um elemento central do projeto. Os trabalhos apresentados utilizam restos da construção e registros visuais como matéria para discutir o desaparecimento de marcos arquitetônicos e as mudanças no espaço urbano contemporâneo.

Fotografias da antiga Celg | Foto: DivulgaçõesFotografias da antiga Celg | Foto: Divulgações

O curador Paulo Duarte-Feitoza destaca que o processo de criação esteve ligado à convivência prolongada com o prédio em ruínas. “Ao longo desse processo, os artistas desenvolvem uma espécie de estética da catação, recolhendo fragmentos, imagens e situações produzidas pelo próprio estado de deterioração do prédio”, explicou.

Segundo ele, mais do que recuperar a trajetória de um prédio já inexistente, a exposição propõe discutir o destino de construções modernistas e os impasses entre preservação e renovação urbana. “As obras tornam visível uma história que já não pode mais existir como arquitetura. Talvez esta exposição seja também o último suspiro desse edifício”, afirmou.

A mostra também estabelece conexões com a história cultural de Goiânia. O edifício da antiga Celg reunia elementos importantes da arquitetura moderna local, envolvendo nomes como o engenheiro Oton Nascimento, o desenhista Sérvulo de Pádua Fleury, o arquiteto alemão Gustav Ritter e um mural de Nazareno Confaloni instalado no saguão.

SERVIÇO

Exposição: Marcha para o fim do Oeste
Artistas: Glauco Gonçalves e Henrique de la Fonte
Curadoria: Paulo Duarte-Feitoza
Abertura: 17 de março, às 19h
Visitação: 18 de março a 24 de abril de 2026
Local: Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG), Praça Universitária, Goiânia – GO
Entrada gratuita
Classificação livre

ESTAGIÁRIO FERNANDO PRESTES SOB A SUPERVISÃO DA REDATORA ALY FREITAS*


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