(11.set.26) - Plataforma Cultural é destruída pela tempestade no Complexo Ferroviário em Campo Grande (MS).. Foto: Foto: Tero Queiroz
Quase dez dias desde o temporal que arrancou parte da cobertura da Plataforma Cultural, em Campo Grande (MS), a Prefeitura de Adriane Lopes (PP) ainda não tem prazo para recuperar o prédio ou devolver o espaço à cidade.
A informação foi encaminhada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) ao TeatrineTV na 2ª.feira (15.set.26), em resposta a questionamentos enviados pela reportagem após o vendaval de 5ª.feira (10.set.26).
Segundo a secretaria, antes da recuperação será necessário avaliar as condições da estrutura.
"A Plataforma Cultural estava em funcionamento até o temporal da última semana. Diante dos danos provocados pelo vendaval, está sendo elaborado um laudo para avaliar as condições do prédio e, na sequência, um projeto emergencial para o restabelecimento de sua funcionalidade", argumentou.
A Sisep informou que a definição dos custos ocorrerá somente depois dessa etapa.
"A partir do projeto, será elaborado o orçamento e definida a necessidade de recursos para a execução dos serviços. Sobre as medidas necessárias para viabilizar esses recursos, o encaminhamento será avaliado junto ao Gabinete".
A secretaria não apresentou, na resposta enviada à reportagem, prazo para conclusão do laudo, elaboração do projeto, definição dos recursos, início das obras ou reabertura da Plataforma.
O QUE PRECISA SER RECUPERADO
A Sisep detalhou quais intervenções deverão ser realizadas no prédio.
"Em relação aos danos identificados na Plataforma Cultural, o principal objetivo neste momento é restabelecer a funcionalidade do prédio. Para isso, serão necessárias a revisão estrutural, a colocação de novas telhas, o refazimento do forro de gesso e a reinstalação das instalações elétricas e do sistema de climatização".
O espaço teve parte da cobertura e do madeiramento atingidos durante o temporal. Na ocasião, servidores que estavam no prédio retiraram obras de arte que estavam expostas na Galeria de Vidro.
COMO ESTÁ O COMPLEXO FERROVIÁRIO
A Sisep afirmou que a Esplanada Ferroviária é formada por diferentes edificações e que cada uma possui situação e planejamento próprios.
Sobre a Estação Ferroviária, a secretaria informou:
"A Estação está em funcionamento, com o acervo da ferrovia e a Biblioteca, e tem previsão de início, ainda neste ano, da elaboração do projeto de conservação e restauro".
Ainda segundo a pasta o Armazém Cultural também permanece em funcionamento.
“O Armazém Cultural está em funcionamento, com previsão de elaboração do projeto de conservação e restauro para 2026", prometeu.
Na Rotunda, o processo está em outra etapa.
“O imóvel está em fase de planejamento, com correções e elaboração das peças necessárias para o encaminhamento do projeto de conservação e restauro à licitação".
Sobre a Casa 01 – Eng. Mônaco que também foi afetada pelo temporal, a Sisep disse que o imóvel. "Está em funcionamento, mas também foi afetada pelo temporal. O processo de licitação está em fase de instauração. O local já conta com projeto, orçamento e recurso".
Já a Casa 02, onde funciona o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS), está em fase final de obras.
MAIS UMA OBRA CULTURAL
A situação da Plataforma Cultural não começou no temporal de 10 de setembro. O prédio já aguardava intervenção e, depois de perder parte da cobertura, a Prefeitura agora informou que ainda precisa fazer laudo, projeto, orçamento e definir de onde virão os recursos para recuperar o espaço.
Não é a primeira vez que um equipamento cultural entra nesse roteiro durante a gestão de Adriane Lopes: anuncia-se a obra, estabelece-se prazo e nunca chega-se a dia da inauguração da obra.
Em 27 de março de 2023, Adriane assinou a ordem para reformar o Teatro José Octávio Guizzo, o Teatro do Paço. O contrato era de R$ 936.041,56, com prazo de 210 dias para execução.
Na placa da obra, a Prefeitura estabeleceu 9 de outubro de 2023 como previsão de entrega. Estamos em 19 de setembro de 2026, já se passaram 2 anos, 11 meses e 10 dias desde a data em que o teatro deveria ter sido devolvido à população.
O TeatrineTV já havia mostrado o atraso em abril de 2024. Naquele momento, o teatro continuava fechado e sem movimentação de trabalhadores.
Na mesma frente de obras estava a Praça dos Imigrantes. O contrato para a revitalização foi firmado por R$ 226.182,44, com prazo de 90 dias.
A previsão registrada na placa da obra era 13 de setembro de 2023. Hoje completam 3 anos e 6 dias desde a data prevista para a conclusão.
Em abril de 2024, o TeatrineTV esteve novamente no local e encontrou a obra sem conclusão, com lixo e entulho. Os 53 artesãos que utilizavam o espaço continuavam sem a praça para trabalhar.
Ou seja: não estamos falando de um atraso de algumas semanas. No caso da Praça dos Imigrantes, já são mais de três anos desde a data indicada para a entrega.
Outro exemplo é o Centro de Belas Artes.
Em 26 de junho de 2025, Adriane Lopes anunciou R$ 33 milhões para finalmente concluir o prédio que se arrasta há décadas. O recurso seria viabilizado por financiamento ou empréstimo, com dinheiro do FGTS e do Ministério das Cidades.
O anúncio completou 1 ano, 2 meses e 24 dias neste 19 de setembro de 2026. A promessa dos R$ 33 milhões, entretanto, não veio acompanhada de uma data de entrega do equipamento.
Em junho de 2026, o TeatrineTV voltou ao assunto e mostrou que a gestão ainda não havia entregue nenhum teatro público funcional iniciado durante sua administração.
Agora, a Plataforma Cultural entra nessa sequência.
A Sisep informou que primeiro fará um laudo. Depois, virá o projeto emergencial. Só então serão feitos orçamento e definição dos recursos necessários para executar os serviços.
Ou seja: depois de anos aguardando intervenção, a Plataforma sofreu o temporal e voltou para a etapa inicial de diagnóstico.
São equipamentos diferentes, contratos diferentes e situações diferentes. Mas há uma pergunta que se repete em todos eles: quando a população poderá, de fato, voltar a usar esses espaços?
E, no caso da Plataforma, a pergunta começa ainda mais atrás: quanto tempo a cidade terá de esperar depois de o temporal ter arrancado o teto de um prédio que já aguardava restauração?