Alzira E encerrou a programação musical da 10ª Feira Literária de Bonito com uma apresentação que resume bem o caminho construído pela artista ao longo de décadas.
Na Praça da Liberdade, em 12 de julho, a cantora e compositora sul-mato-grossense apresentou “Senhora do Tempo”, espetáculo baseado no álbum lançado em 2024.
O show não teve a intenção de organizar a carreira da artista como uma retrospectiva.
A escolha foi reunir tempos diferentes.
Canções do novo trabalho apareceram ao lado de músicas de outros períodos e de compositores que fazem parte da formação artística de Alzira.
A apresentação foi sustentada pelo essencial: voz, violão e interpretação.
É nesse formato que a força da artista aparece com mais clareza. Sem depender de grandes estruturas de palco, Alzira colocou a composição no centro do espetáculo.
Aos 70 anos, ela segue apresentando uma obra que não depende apenas da memória de uma trajetória construída no passado.
O repertório mostrou uma artista ainda conectada ao próprio processo criativo, capaz de aproximar músicas escritas em momentos diferentes sem transformar a apresentação em uma celebração nostálgica.
Nascida em Campo Grande, Alzira Maria Miranda Espíndola iniciou sua trajetória ao lado dos irmãos da família Espíndola, grupo fundamental para a construção da música produzida em Mato Grosso do Sul.
Ao longo da carreira, acumulou mais de 160 músicas gravadas e parcerias com nomes como Itamar Assumpção, Alice Ruiz, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes e Zélia Duncan.
Mais do que uma lista de colaborações, a trajetória de Alzira ajuda a entender uma parte da música brasileira produzida fora dos grandes centros.
Sua obra atravessa poesia, experimentação e diferentes referências musicais.
Na FLIB, a artista também evidenciou uma questão recorrente em Mato Grosso do Sul: nomes com reconhecimento nacional ainda precisam ser constantemente apresentados ao público do próprio Estado.
O encerramento da feira literária colocou novamente em evidência uma compositora que ajudou a construir a identidade musical sul-mato-grossense e que continua produzindo sem depender apenas do reconhecimento do passado.
Alzira E não voltou à FLIB para relembrar uma carreira.
Voltou para mostrar que ela continua acontecendo.