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10ª FLIB

Alzira E reafirma seu lugar na música brasileira

Aos 70 anos, ela segue apresentando uma obra que não depende apenas da memória de uma trajetória construída no passado

Por TERO QUEIROZ • 25/07/2026 • 09:41
Alzira E reafirma seu lugar na música brasileira (12.jul.26) - Alzira E faz grande show na 10ª FLIB, em Bonito (MS). Foto: Tero Queiroz

Alzira E encerrou a programação musical da 10ª Feira Literária de Bonito com uma apresentação que resume bem o caminho construído pela artista ao longo de décadas.

Na Praça da Liberdade, em 12 de julho, a cantora e compositora sul-mato-grossense apresentou “Senhora do Tempo”, espetáculo baseado no álbum lançado em 2024.

O show não teve a intenção de organizar a carreira da artista como uma retrospectiva.

A escolha foi reunir tempos diferentes.

Canções do novo trabalho apareceram ao lado de músicas de outros períodos e de compositores que fazem parte da formação artística de Alzira.

A apresentação foi sustentada pelo essencial: voz, violão e interpretação.

É nesse formato que a força da artista aparece com mais clareza. Sem depender de grandes estruturas de palco, Alzira colocou a composição no centro do espetáculo.

Aos 70 anos, ela segue apresentando uma obra que não depende apenas da memória de uma trajetória construída no passado.

O repertório mostrou uma artista ainda conectada ao próprio processo criativo, capaz de aproximar músicas escritas em momentos diferentes sem transformar a apresentação em uma celebração nostálgica.

Nascida em Campo Grande, Alzira Maria Miranda Espíndola iniciou sua trajetória ao lado dos irmãos da família Espíndola, grupo fundamental para a construção da música produzida em Mato Grosso do Sul.

Ao longo da carreira, acumulou mais de 160 músicas gravadas e parcerias com nomes como Itamar Assumpção, Alice Ruiz, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes e Zélia Duncan.

Mais do que uma lista de colaborações, a trajetória de Alzira ajuda a entender uma parte da música brasileira produzida fora dos grandes centros.

Sua obra atravessa poesia, experimentação e diferentes referências musicais.

Na FLIB, a artista também evidenciou uma questão recorrente em Mato Grosso do Sul: nomes com reconhecimento nacional ainda precisam ser constantemente apresentados ao público do próprio Estado.

O encerramento da feira literária colocou novamente em evidência uma compositora que ajudou a construir a identidade musical sul-mato-grossense e que continua produzindo sem depender apenas do reconhecimento do passado.

Alzira E não voltou à FLIB para relembrar uma carreira.

Voltou para mostrar que ela continua acontecendo.


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